Segunda-feira, Novembro 09, 2009

A Mulher Mais Triste do Mundo

Lá vai ela...
a mulher mais triste do mundo
se enrolando em pranto
e não querendo ver o riso,
não querendo sentir o riso,
não querendo ser o riso.

Lá vai ela...
a mulher mais triste do mundo
se enrolando em pranto
virando uma lágrima.
E cada vez mais se deixa ser lágrima,
se deixa ser triste,
se deixa ser pó.

Lá vai...
a mulher mais triste do mundo
a mulher mais triste do mundo!
Que chora para não rir,
que não teme a tristeza do amanhã.
Se enrolando em pranto, tanto, muito!

Essa mulher...
Esta mulher...
Aquela mulher!!!
A mulher mais triste do mundo
é cheia de rugas na testa.

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

19

A pior coisa de toda vida ter sido considerada uma pessoa "precoce" é chegar aos 19 com crise de meia idade.
Dá uma impressão de que muito tempo foi perdido!
Me olho no espelho e vejo minha barriga ficando flácida, umas varicoses aparecendo, rugas, pés de galinha, bolsa em baixo dos olhos. Logo meus seios vão sentir chão frio do banheiro quando eu for tomar banho!
Daqui uns dias eu faço 19 e o que eu construí ao longo desses tantos anos? Nada.
Não tenho filhos, não tenho um carro, não tenho casa própria, não tenho cartão de crédito, não tenho emprego, ainda não saí da faculdade, ainda nem saí das fraldas. Dependo 98% dos meus pais, quando não dependo é porque achei déizão no fundo da bolsa. Mas isso é raro.
Muita gente me diz que tudo isso é pura bobagem, que as coisas vão acontecendo, que ainda não preciso me preocupar com a idade nem com os bens materiais, que se eu chegar aos 60 desse jeito, aí sim posso entrar em depressão...
Quando eu tinha 16, diziam que eu parecia ser mais velha pelo jeito que conversava. Acho que sempre tive uma cabeça meio idosa.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Sem Jeito

Quando eu era pequena, sempre minha mãe me dizia:
Ah, menina, vê se toma jeito!
Eu nunca entendi esse negócio de jeito.
Jeito de que jeito, mãe?
Hoje fico pensando que
não devo ter tomado nenhum jeito naquele tempo
Se fico num canto, me chamam de sem jeito
Se estrago alguma coisa, sou muito desajeitada
Mas tenho certeza que tem gente que diz
que apesar desse meu jeito de pouco jeito
a poesia até que ficou ajeitada!

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Hora é Infinito

Ao lado na cama não tem ninguém
fecha os olhos e o sono não vem
Ninguém nunca vem!
E o silêncio
O silêncio faz com que os segundos tornem-se horas
e só as horas se calam na demora
"Como demora essa merda de trem!"

Quinta-feira, Novembro 13, 2008

Braços

O abraço
deixa de ser restrito à braços
e toma também as mãos
por que não?
As pernas viram braços,
os pés se tornam laços
há braços por toda a parte.

Terça-feira, Setembro 30, 2008

A Bunda

Era uma vez uma bunda. Mas não era qualquer bunda, era A bunda.
Abundante, grande, gorda, carnuda.
Gostava de se sentir sentada, sedentada, assentada, acomodada.
Algumas pessoas pensam que tem o rei na barriga, outras, levam o poder nas nádegas.
Sentia-se rainha das bundas quando se sentava, não no troninho, mas sim em uma boa cadeira na chefia. Quanto mais poder caideirístico, maior a coroa e o ego da bunda.
Porque bom mesmo é afofar as carnes num bom assento.

Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Pássaros

Quando eu crescer
quero ter:
um coati,
um sagui,
um jabuti.

Odeio pássaros.

Quarta-feira, Setembro 17, 2008

A Felicidade do Horizonte

Marquinho era um nanico. Tinha um pouco mais de um metro de altura, coisa de milímetros. Ele nunca contava sua altura e saia correndo ao ver uma fita métrica pela frente.
Marquinho era um azarado. Nunca tinha visto uma mulher nua em trinta anos de sua pequena e insignificante existência.
Quando conseguia entrar em alguma festa, seus amigos sempre acabavam bêbados e muito bem acompanhados, só ele que não. Ele não bebia porque os garçons sempre pensavam que ele era menor de idade. Não pegava ninguém porque as mulheres sempre pensavam que ele era menor de idade... e até as meninas menores de idade gostam de “homens feitos”. Marquinho nunca foi um “homem feito”.
Nos tempos de colégio, as meninas diziam que Marquinho era um fofo, que era tão bonitinho pequenininho daquele jeito, parecia um chaveirinho. Mas ele não entendia o porquê quando ele se declarava para alguma delas, o resultado era um belo tapa de mão cheia no minúsculo rosto. Elas só queriam os grandalhões da oitava série.
Marquinho se perguntava o tempo todo porque tanta falta de tamanho lhe proporcionava tanta grandeza no azar.
Mas, é claro, vocês bem sabem, nem sempre a vida é tão ruim assim e não faz sentido eu deixar que o Marquinho tenha um fim muito cruel como ser atropelado por um cachorro de rua.
Um dia, no ponto de ônibus, Marquinho conheceu uma garota, a Angélica.
Angélica não parecia aquela apresentadora da tv. Era mulata, alta, bem torneada, a pele e os cabelos compridos brilhavam com a luz do sol.
Marquinho ficou encantado ao perceber que Angélica o percebia.
Marquinho, de seu baixo patamar de visão, via Angélica se aproximar. O coração palpitava tanto que o fazia dar pulinhos.
Ele não entendeu exatamente como tudo isso aconteceu. Entraram no ônibus, sentaram-se e conversaram muito, beijaram-se muito, fizeram o povo todo rir da cena bizarra. Quando Marquinho deu por si, estava em um quarto alaranjado, nu, em uma aconchegante cama, com o rosto enfiado em aconchegantes e fartos seios.
Quando Marquinho deu por si, caminhava em direção a uma forte luz que vinha sabe Deus de onde e que ficava cada vez mais perto. Entrou na luz e, a partir daí, nós que aqui ficamos nunca saberemos como acontece.
Quando Angélica deu por si, estava fazendo as honras de uma primeira e inesquecível vez de alguém que em trinta anos de insignificante existência, nunca havia sequer visto uma mulher nua.
Quando Angélica deu por si, estava fazendo as honras de uma última e inesquecível vez de alguém que em trinta anos de existência, nunca tinha sequer visto uma mulher nua.
Gritou e chorou feito uma criança que não ganha um playstation de natal.
Raiva por não ter chegado ao fim, pânico por matar alguém, felicidade por matar de alegria.